Cortar giro é garantia de ‘fritar’ o óleo da moto e até derreter peças

O hábito de cortar giro (quando se eleva até o limite da rotação aceita pela central eletrônica) do motor já se tornou algo cultural de determinadas regiões das metrópoles brasileiras, e além do incômodo gerado com o estrondoso som emanado, estes motociclistas sempre são reprimidos por “agredirem” também o motor da motocicleta. Afinal os danos podem aparecer com eles ou com o próximo dono.

Problemas nos anéis, bielas, válvulas, pistões e outros são sempre lembrados e quando eles aparecem chegam junto de barulhos estranhos, perda na potência, aumento no consumo, e por aí vai. Porém, um problema que pode ser imediato e imperceptível é a contaminação do óleo. Este quase ninguém se lembra.

Em entrevista, o especialista em desenvolvimento do setor de pesquisa da Honda, Bismark do Vale, esclarece que os problemas do hábito de cortar giro têm motivo.

“O motor, quando ele está em corte de giro, tende a cortar a ignição. Então o bico injetor vai continuar injetando um pouco de combustível. Lógico que o corte repentino, quando você percebe que [por exemplo] tem que trocar a marcha, você vai trocar. Mas nessas situações que o condutor usa o corte de giro em longos períodos, a gasolina vai se misturar com óleo. Ela vai contaminar o óleo.” aponta o pesquisador.

Bismark explica que esse fenômeno de mistura dos líquidos e consequentemente a contaminação do óleo pode acontecer mesmo com as peças internas do motor em bom estado.

Em um motor quatro tempos convencional a queima do combustível ocorre quando o sistema de ignição aciona a vela. Com o giro acima dos limites, este sistema é interrompido, porém a injeção permanece e faz com que a câmara de combustão se encha de gasolina. Essa admissão exagerada não é correta, pois o combustível deve entrar, queimar e liberar os gases provenientes, possibilitando que mais gasolina (na quantidade correta) entre no sistema e ciclo se repita.

O especialista aponta que é aí que está o perigo, pois a gasolina acumulada tem que escoar para algum lugar caso não seja queimada. Então o combustível, por conta de sua densidade menor que do óleo, desce pela parede do cilindro e se mistura ao lubrificante.

O que fazer com o óleo contaminado pelo corte de giro?

Nestes casos não tem o que fazer, a troca do óleo deve ser imediata. Mesmo que o óleo lubrificante seja novo, a contaminação exige a substituição.

O óleo lubrificante é responsável pelo funcionamento e deslize correto das partes internas do motor da moto. Ele passa, lubrifica e resfria o conjunto.

Para que esteja tudo nos conformes é fundamental que as especificações indicadas no manual do proprietário sejam seguidas. Só assim sabe-se que o óleo lubrificante com espessura e aditivos adequados estão sendo utilizados.

Se o óleo for contaminado pela gasolina tudo isso fica comprometido e os riscos de má lubrificação e resfriamento aumentam, elevando também as chances dos defeitos e quebras de componentes.

“As quebras ocorrem basicamente porque ela enriquece a mistura, ou seja, enche a câmara de combustível e quando retorna ele dá uma explosão com uma temperatura bem maior do que o normal e aí pode ocorrer a quebra. É bem mais grave do que o que a pessoa imagina”, completa do Vale.

Bismark ainda aponta outro risco grande, o de superaquecimento. Superaquecer a moto com o corte de giro pode ocasionar na quebra de alguma peça ou até na combustão espontânea do conjunto.

Atenção à falta de cuidado

O especialista conclui que esses problemas costumam aparecer “a longo prazo”. Neste caso o alerta vai para o quem olha uma moto usada, tome cuidado para não levar uma moto de um piloto que vivia cortando giro.

FONTE: https://autopapo.com.br/motos/corte-de-giro-oleo-moto/